Relato – Brevet 200 – Itanhaém – 22/11/14 – Fabio Guariglia

Brevet 200 de Itanhaém, 1º brevet do clube Randonneurs Litoral, marcado para 22/11/14. Duas semanas após o brevet 200 de Campos, resolvi prestigiar os amigos do novo clube e também treinar para o objetivo de 2015, que ainda está indefinido: 18ª edição do PBP em agosto de 2015 ou II Brevet das Bandeiras em outubro de 2015. Por ter uma altimetria relativamente leve, com seus 1206m de subidas acumuladas (pelo Garmin 810), proximidade a cidade de Itanhaém e também facilidade quanto ao local de hospedagem na cidade, decidi que seria uma boa oportunidade.
Na quarta feira que antecedeu o brevet, dei um tapa na magrela que ainda estava suja do brevet de Campos. Na quinta à noite montei todas as tralhas na bike (bolsa de selim com ferramentas, pneu reserva, iluminações, caramanholas, bomba, garmin etc). Já deixei tudo na bike como forma de não esquecer nada. Separei todas as roupas e demais apetrechos. Tudo pronto. Sexta de noite já estava em Itanhaém.
Fiquei hospedado a 3kms da largada e a 6 do ponto de chegada. Tranquilo para ir e voltar pedalando.
Acordei às 5 horas de sábado, “me montei” e às 6 horas sai para o ponto de largada, no Morro do Paranambuco. Fiz a vistoria, conversei por alguns minutos com o Vinicius, organizador do Randonneurs Litoral, fiz um tempinho até o briefing e às 7:30hs em ponto foi dada a largada.
Um dos pontos passados pela organização durante o briefing foi sobre as condições dos trechos utilizados na Regis Bittencourt até Juquiá, ponto de retorno (97kms). Por conta da existência de algumas canaletas para escoamento de água, cortando o acostamento a cada 30 metros durante uns 8 quilômetros do trecho, foi alertado sobre o risco de se pedalar próximo a faixa que divide o acostamento da pista de rolagem, como forma de se evitar as tais canaletas. A Regis é conhecida por seu pesado tráfego de caminhões. Pois bem, volto a esse ponto mais à frente…
No percurso havia um trecho de 12kms, pedalados pela avenida beira mar, até chegarmos ao acesso da Rodovia Padre Manoel da Nobrega, SP-55. Pedalei ansioso por chegar logo a estrada e poder girar em velocidade maior. Até Pedro de Toledo, com 47kms, local do PC1, o trecho era praticamente um tapetão. Plano e com excelente acostamento, fui girando entre 30 e 35 km/h sem muito esforço. Neste trecho tivemos um pequeno vento contra, nada que atrapalhasse o pedal. Durante todo este trecho vim pedalando em um pequeno pelotão de 3 ou 4 pessoas.
Logo após o término do trecho duplicado da SP-55, fomos parados pela polícia rodoviária, onde já haviam mais 2 randonneurs parados. Os policiais estavam alertando que nos próximos quilômetros havia uma grande incidência de roubos de bikes, e nos recomendaram pedalarmos juntos. Assim saímos em 5 ciclistas.
Neste trecho, um carro de apoio de um dos ciclistas que estava junto no pelotão seguiu acompanhando e parando no acostamento para filmar e tirar fotos. Em uma das paradas do carro, haviam alguns ciclistas parados também passando protetor solar. Enfim, vista grossa, segui.
Mais a frente, com 41kms girados, no trevo de Itariri, 2 ciclistas seguiram por dentro da cidade, em um caminho mais curto. Enfim, vista grossa, segui.
Logo à frente, com 48,7kms girados, já estava acessando o trecho de Pedro de Toledo. Logo mais a frente o PC1, com 49,8kms, na rodoviária da cidade. Planilha de rota bem detalhada, com todas as quilometragens batendo, foi fácil a navegação dentro da cidade.
PC muito bem estruturado. Água, pastilhas de isotônico, bananas, sanduiches de queijo, bananinhas e rapadura. Banheiros e um carrinho da Sabesp com várias torneiras, onde deu para jogar uma boa água na cabeça. Além disso, ainda havia uma lanchonete na rodoviária, onde tomei a tradicional coca gelada e mandei pra dentro algumas cápsulas de sal. Comi uma banana e alguns sanduichinhos. Comi meia rapadura, guardei a outra metade pra qualquer emergência. Abastei as caramanholas, carimbei o passaporte e segui. No total quase 25 minutos de paradas. Sai super bem para o próximo trecho 47,9kms.
Neste trecho entre PC1 em Pedro de Toledo e PC2 em Juquiá, havia uma pequena serra de 2kms e mais a frente um trecho de 30kms pelas Regis Bittencourt. Fui para este brevet com um cassete 25×12, além do pedivela compact na frente, o que deu para subir a serrinha sem maiores esforços.
Vencida a serra, algumas descidas e alguns falsos planos e já acessava a Regis Bittencourt, no Km 67,1 do brevet. Agora até o PC2 em Juquiá, faltando 30kms, toda atenção e prudência era pouca.
Logo após o trevo de acesso, começaram as abençoadas canaletas de drenagem. A cada 20, 30 metros, era uma porrada na bike. As canaletas de iniciavam próximas a faixa branca divisória entre acostamento e pista de rolagem, criando uma região estreita sem as canaletas, extremamente perigosa devido ao alto tráfego de caminhões. Não ousei trafegar por ali. Fui levando porrada das canaletas durante os 8 kms. Após o término das canaletas, o asfalto ruim do acostamento também não permitiu um melhor desempenho. Somente mais a frente, já próximo ao trevo de Juquiá é que o asfalto melhorou.
Enfim o PC2, Juquiá, com 97,7kms rodados, em um posto de gasolina com restaurante. Mais uma vez a planilha bem detalhada permitiu uma navegação tranquila dentro da cidade. Cheguei bem a este PC, com 4 horas e 13 minutos de pedal, média de 23,1km/h.
PC também muito bem estruturado. Carimbei o passaporte e decidi comer arroz e purê de batatas, do buffet do restaurante. Caprichei no sal, uma boa coca trincando de gelada e um sorvetinho para equalizar a acidez do estomago, kkkkk. Tirei as sapatilhas e fiquei um tempo com as pernas pra cima.
Abasteci as caramanholas, comi uma banana e levei comigo uma rapadura. Bora pra estrada! Esta parada durou por volta de 45 minutos. Sai do PC com uma leve chuva, que parou logo após poucos minutos.
De volta a Regis! Tentei imprimir um ritmo mais forte para sair dessa estrada o mais breve possível. Extremamente estressante pedalar por ali. Atenção, prudência e taca-lha pau!
Mais adiante encontrei em um monte de ciclistas. Digo um monte pois pedalavam como se estivessem nas ciclofaixas dominicais aqui da cidade de São Paulo. Espalhados pelo acostamento, batendo papo, tudo bagunçado. Descontração total. Vi que a Silvia, Sara e Vitória tentavam ultrapassar o grupo, mas era praticamente impossível pois não havia espaço algum. Então nesse momento vi as cenas mais bizarras que pude ver durante os brevets que já pedalei.
Um dos “bicicreteiros” que estavam no grupo, insistia em pedalar encima da faixa branca, e por vezes na pista de rolagem. Diversos caminhões passando na faixa da direita, rápidos e buzinando. O cidadão, como se estivesse a bordo de um tanque de guerra, apenas desviava seu trajeto poucos centímetros, como se estivesse fazendo um favor aos caminhoneiros em dar passagem a eles. Nestas 4 ou 5 finas, em uma delas ele não foi estraçalhado porque Deus não quis. Além de morrer, suas atitudes estúpidas poderiam tirar a vida de mais pessoas e ciclistas. É esse tipo de “bicicreteiro” que faz com que muitas vezes os motoristas deixem de respeitar os ciclistas. O cara simplesmente estava brincando com a vida, como se fosse algo descartável. Durante o briefing foi dado destaque a este ponto pela organização. Mesmo assim o estúpido estava lá. Poderia ter manchado todo um trabalho sério, que não só os organizadores do Randonneurs Litoral fazem, mas também todos os organizadores nacionais, com sua brincadeirinha estúpida de roleta russa. Ao ser questionado por um outro ciclista, vomitou a seguinte frase: “É porque você ainda não me viu andando de moto”………………bem, chega de falar de estúpidos.
Consegui ultrapassar o bando e seguir até o trevo de acesso para retornar a SP-55. Ali, com movimento infinitas vezes menor, com bom asfalto e longe de estúpidos, pude imprimir um bom ritmo. Neste trecho, pequenas subidas e descidas. O tempo estava encoberto, mas havia um mormaço bem forte, fazendo “jorrar” suor por todo o corpo. Um pouco antes do início da subida da serrinha, parei em uma barraca de água de coco, onde também havia uma tubulação trazendo água de alguma mina. Depois de um coco e um belo banho tcheco, estava zerado para subir a serra.
Vencido o trecho de serra, uma boa descida e mais alguns falsos planos até novamente o trevo de Pedro de Toledo, onde estava o PC3 no mesmo local do PC1. Todo o velho ritual de PC com mais uns 10 minutos de descanso e em 30 minutos estava novamente na estrada, para o trecho final de 54kms até Itanhaém, praticamente todo plano.
Este trecho foi todo feito sozinho. Vento contra muito leve e com isso puder ir girando entre 25 e 30 km/h. Foi um trecho bem monótono.
Em determinado trecho, comecei a ver diversas viaturas da polícia rodoviária, vários giroflex ligados, ambulâncias……e conforme fui chegando perto pude ver que se tratava de algo muito grave. Dá até um frio na espinha de imaginar o que pode ter acontecido ali na frente. Graças a Deus nenhum acidente envolvendo algum randonneur. Mas infelizmente foi um acidente muito grave entre caminhão e carros, onde pessoas perderam suas vidas. Passei pelo acidente e procurei não olhar muito. Mas mesmo assim depois de passar por ai, deu aquela desanimada. Bola pra frente! Mais um lembrete de que toda atenção e prudência é pouca.
Com 182 kms pedalados, cheguei ao trevo de acesso a Itanhaém. Dali pra frente girei por trechos urbanos e também na avenida beira mar, até chegar ao PC3, 200kms girados, na piscina municipal de Itanhaém, com 9:45hs de pedal, meu primeiro abaixo das 10 horas totais.
Foi o primeiro brevet 200 do clube Randonneurs Litoral. Muito bem organizado, PCs com ótima estrutura, voluntários muito atenciosos, planilha de rota muito bem detalhada. Recomendo a todos!
Parabéns a toda a equipe do Randonneurs Litoral!

4 respostas em “Relato – Brevet 200 – Itanhaém – 22/11/14 – Fabio Guariglia

  1. Fabio, seus relatos sao otimos!!! Me vejo pedalando e fazendo o trajeto contigo. Parabéns por mais esta conquista.

  2. Fábio, muito importante sua presença em nosso primeiro brevet. Seu relato nos trás informações que a organização não toma conhecimento, pois não ficamos fiscalizando, e se é que devemos. Organizamos alguns desafios para conseguir ganhar experiência e conscientizar os participantes especialmente sobre segurança. As estradas por aqui não são favoráveis, é muito difícil escolher um trecho mais seguro quanto a estrutura e roubos. Parabéns pela aventura, litoral sul é muito plano e favorece bons tempos. Agradeço os elogios a organização, mas não poderia ser diferente, pois nossa referência ( Audax SP) é excelente. Uma grande turma se empolgou para fazer 300km se preparem.

  3. Parabéns, Fabio! Fiz o desafio 100 km em agosto ai em itanháem infelizmente o brevet não pude fazer, mas fica pra próxima!!

  4. Show Fabião!!! Parabéns Bro! OLha só, tem idiotas em tudo quanto é prova, mas enquanto arriscam somente suas vidas tudo bem… Parabéns ao pessoal do Randonneurs Litoral pela organização e bela prova!

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